Primeiro Reinado
Histórias nas telas:
– Independência ou Morte, de Carlos Coimbra. BRA: 1972. [Filme realizado durante a ditadura empresarial-militar e conectado aos eventos celebratórios do sesquicentenário da Independência do Brasil, contando com um elenco de figuras bastante conhecidas da população: Tarcísio Meira (Dom Pedro I) e Glória Menezes (Marquesa de Santos), além dos apresentadores Carlos Imperial e Manuel de Nóbrega. Quase 3 milhões de pessoas foram aos cinemas para assistirem a ‘patriótica reencenação’ daquilo que se configurou como a certidão de nascimento do país, o ‘Grito do Ipiranga’, inspirado na tela de Pedro Américo. D. Pedro I é retratado como uma figura heroica, em uma trajetória épica e ufanista desde os tempos do ‘Dia do Fico’ até sua abdicação em 1831].
– A Viagem de Pedro, de Laís Bodanzky. BRA: 2022. [A produção está centrada na viagem de retorno de D. Pedro I ao seu país de origem, Portugal, logo após os eventos que consolidaram a sua abdicação em terras brasileiras. Acompanhamos o ex-imperador a bordo do navio inglês Warspite, a partir de um olhar intimista e crítico à imagem heroica que tradicionalmente se criou em torno de sua figura. São muitos elementos em destaque nesta obra cinematográfica, ressaltando a sua impopularidade ao sair do Brasil, questões envolvendo saúde e masculinidade e sublinhando os posicionamentos racistas que o monarca assumia em suas interações cotidianas. É um dos raros filmes a focar especificamente no desfecho do Primeiro Reinado].
– Leopoldina – A Imperatriz do Brasil, de Beca Furtado. BRA: 2023. [O filme combina cartas pessoais, imagens de arquivo e entrevistas com profissionais do campo da história para debater a trajetória política e pessoal de Maria Leopoldina da Áustria. Em vez de enfatizar apenas sua relação com o imperador, o documentário apresenta uma imperatriz com sólida formação científica e política, argumentando que ela exerceu influência decisiva nos acontecimentos envolvendo o processo de independência brasileira e a organização do país sob o reinado de Pedro I. Além dos depoimentos, o documentário utiliza cartas reais escritas pela própria imperatriz, que ganham vida através da narração dramática da atriz Luisa Arraes]
Nas trilhas da história:
– Hino da independência do Brasil, por D. Pedro I (música) e Evaristo da Veiga (letra), 1822. [Desde criança, D. Pedro I recebeu destacada educação musical. No Brasil, teve professores como o padre José Maurício Nunes Garcia, organista e mestre de capela da Catedral da Sé do Rio de Janeiro, e Marcos Portugal, maestro real e criador de óperas e de música sacra. Assim, o imperador dominava instrumentos de sopro, como o clarim, e de cordas, o violino. No contexto da separação com Portugal, a canção celebrava a permanência de D. Pedro no Brasil e louvava a elaboração de uma constituição. De certa forma, a obra é um retrato sonoro do entusiasmo com o início do Primeiro Reinado e que movimenta os espectros políticos brasileiros até o presente].
– Sambas-enredos do Carnaval carioca. [Muitas escolas de samba no Rio de Janeiro se inspiraram no período do Primeiro Reinado, 1822-1831. Algumas focaram nos relacionamentos amorosos de D. Pedro I, com D. Maria Leopoldina e D. Amélia de Leuchtenberg, além dos diversos casos extraconjugais do imperador: Amores de D. Pedro I (Império da Tijuca, 1958), A glória e os amores de D. Pedro I (Unidos do Cabuçu, 1962), O segundo casamento de D. Pedro I (Portela, 1964) e A Favorita do Imperador, Marquesa de Santos (Imperatriz Leopoldinense, 1964). Outras destacaram o protagonismo feminino: A imperatriz das rosas (Lins Imperial, 1969) e Imperatriz Leopoldinense honrosamente apresenta “Leopoldina, a Imperatriz do Brasil” (Imperatriz Leopoldinense, 1996). Ainda houve aquelas que glorificaram D. Pedro I como herói nacional: Exaltação a D. Pedro I (União de Jacarepaguá, 1957), Coroação de D. Pedro I (União da Piedade, 1964) e Aclamação e coroação de D. Pedro I (Caprichosos de Pilares, 1973)].
– Primeiro Reinado, por Fronteiras no Tempo #86. Brasil: 2024. [O que fazer após a independência do Brasil? Era a hora de criar um Estado, tentar manter a unidade territorial, costurar acordos entre as diferentes elites regionais, formar uma assembleia constituinte e coroar o primogênito da coroa portuguesa como o primeiro Imperador do Brasil. Acompanhe o papo entre C. A. e Beraba e entenda o turbilhão de conflitos e reviravoltas no período que ficou conhecido como Primeiro Reinado].
Histórias contadas:
– Casa Velha, de Machado de Assis, 1885/1886. [Esta novela, publicada originalmente em folhetins entre 1885 e 1886, na revista carioca A Estação, permaneceu inédita em formato de livro até ser publicada em 1943. A história se passa em 1839 na Corte e gira em torno de um padre que decidiu escrever um livro sobre o Primeiro Reinado. Para isso, ele busca documentos na biblioteca da mansão de Dona Antônia, uma viúva conservadora de um ex-ministro e lá se envolve em uma trama de amor e ciúmes].
– As Maluquices do Imperador, de Paulo Setúbal, 1927. [Um romance histórico com veia humorística e satírica que narra a vida de Dom Pedro I. A obra cobre um período mais amplo, entre 1808 e 1834, ainda que boa parte da trama se concentre no reinado do imperador. O livro mistura fatos históricos com uma narrativa leve e cheia de anedotas sobre a personalidade extravagante e contraditória do primeiro imperador do Brasil].
– Titília e o Demonão – A história não contada, de Paulo Rezzutti, 2011. [Romance baseado nas cartas trocadas entre D. Pedro I e sua amante Domitila de Castro Canto e Melo, a marquesa de Santos, de 1823 a 1829. As cartas, consideradas perdidas por quase dois séculos e encontradas em um arquivo nos Estados Unidos, são transcritas, contextualizadas e comentadas pelo autor, revelando os apelidos íntimos do casal — “O Demonão” e “Nhá Titília”.
– A Carne e o Sangue, de Mary del Priore, 2012. [Obra de não-ficção que revela detalhes do triângulo amoroso formado pelo imperador, D. Leopoldina e Domitila, apresentando cartas de D. Pedro à amante e à esposa, e de Leopoldina ao marido e à irmã. Erotismo, ciúme e intrigas de corte são expostos em paralelo com a história política do Brasil e do Rio de Janeiro].
Quadrinhos históricos:
– Dom Pedro I – Herói da Pátria, por Pedro Anísio (texto) e Eugênio Colonnese (arte), 1972. [Publicada em 1972, por ocasião do sesquicentenário da Independência, esta revista colocava Dom Pedro I como um dos “maiores heróis da Pátria”. Nesse período, Pedro Anísio escreveu roteiros em quadrinhos que enalteciam a figura de D. Pedro I durante a ditadura empresarial-militar. Obras como “A Independência do Brasil em Quadrinhos” e “Pequena História da Independência do Brasil” foram publicadas pela EBAL (Editora Brasil-América) e circularam bastante em escolas, sempre com tons épicos e ufanistas].
– 2 de Julho – 190 Anos da Independência do Brasil na Bahia, por Chico Castro Jr. (roteiro) e Gentil (ilustração), 2013. [Esta produção educacional foi lançada em 2 de julho de 2013 pelo jornal A Tarde em parceria com a Fundação Gregório de Mattos. Conta episódios da guerra pela independência na província da Bahia, ocorrida entre 1822 e 1823, durante o Primeiro Reinado. É uma obra fundamental para entender que a complexidade do processo de independência do Brasil, marcado pela violência e por disputas políticas em diversas regiões do país. A HQ destaca o protagonismo popular e figuras históricas como Maria Quitéria, Joana Angélica e Maria Filipa].
– Debret em Viagem Histórica e Quadrinhesca ao Brasil, por Spacca, 2006. [Esta HQ narra a passagem do pintor francês Jean-Baptiste Debret pelo Brasil, como parte da Missão Artística Francesa. Debret viveu no país de 1816 a 1831 e sua obra é um dos mais importantes registros iconográficos da época. Com traço leve e bem-humorado, Spacca reconta as intrigas da incipiente vida artística do Rio de Janeiro e mostra como Debret se tornou uma referência para muitos cartunistas brasileiros].
Obras históricas:
– A construção da ordem e Teatro das sombras, por José Murilo de Carvalho, Civilização Brasileira, 2003. [Publicados em conjunto, os textos reunidos foram apresentados pelo autor como tese de doutorado na Universidade de Stanford, em dezembro de 1974. O utiliza a metáfora teatral para a caracterização do Império brasileiro, na esteira das observações de Joaquim Nabuco e Ferreira Vianna, debatendo o complexo processo de construção do Estado imperial e das relações políticas entre as elites brasileiras e o povo].
– O Brasil Imperial, vol. 1 – 1808-1831, organizado por Keila Grinberg e Ricardo Salles, Civilização Brasileira, 2010. [Nesta obra coletiva há um capítulo específico sobre o Primeiro Reinado, espécie de síntese que revisita a historiografia do período, problematizando as interpretações clássicas e incorporando as contribuições mais recentes da historiografia social e política. É um texto de referência para quem pesquisa este recorte histórico].
– Império em construção: Primeiro reinado e regências, por Maria de Lourdes Viana Lyra, Atual, 2019. [Aborda a consolidação do Estado imperial e as tensões políticas que marcaram os primeiros anos da monarquia brasileira. Entre 1820 e 1842 travou-se em no Brasil uma dura e por vezes sangrenta luta entre diversos grupos sociais que tinham concepções e projetos radicalmente distintos para a constituição do Estado nacional. Ainda que houvesse razoável concordância quanto à conveniência de instaurar um regime monárquico no país, o modelo altamente centralizador, que conferia ao monarca amplos poderes, foi imposto depois de muitas lutas, recorrendo-se frequentemente ao uso da força].
– A liberdade em construção: identidade nacional e conflitos antilusitanos no Primeiro Reinado, por Gladys Sabina Ribeiro, EdUFF, 2002. [Este livro discute o início do processo de formação identitária da nação brasileira, partindo do processo de autonomização do país. Gladys Sabina Ribeiro toma como marco de chegada os acontecimentos que precederam e sucederam o Sete de Abril, quando o Brasil foi (re)descoberto com a abdicação de Dom Pedro I e falou-se em nova e verdadeira Independência, liberdade total do “jugo português”].
– História da Guerra Cisplatina, por David Carneiro, 1946. [Esta obra foi a primeira a trazer uma visão de conjunto sobre uma das mais difíceis campanhas militares em que o Brasil se envolveu no Primeiro Reinado. Dividido em quatro partes – A rebelião da Cisplatina; A guerra com as Províncias Unidas do Rio da Prata; A campanha naval; e A paz – os troféus –, o livro é completado por quatro ensaios biográficos (do marquês de Barbacena, do marechal de campo Henrique Gustavo Brown e do conde de Porto Alegre, pelo lado brasileiro, e de Carlos Alvear, pelo lado argentino, todos eles com participação destacada no conflito) e por documentos inéditos].


