Revolução Haitiana
Histórias nas telas:
– 1804: a história oculta do Haiti, de Tariq Nasheed. EUA: 2017 [Documentário que exibe a história de como o Haiti conquistou sua independência, realizando a primeira rebelião de escravos bem-sucedida do mundo].
– A Revolução Haitiana, Nerdologia. Brasil: 2021 [Publicação do canal de divulgação científica na plataforma do YouTube que aborda brevemente a história do Haiti e as principais lutas pela independência].
– Haiti, o preço da independência, de Wandrille Lanos. França: 2024 [Produção televisiva francesa aborda o papel da França na cessão de sua ex-colônia em troca de um pesado resgate de 150 milhões de francos-ouro como indenização. Essa indenização esmagadora levou mais de 100 anos para ser paga pelo Haiti, contribuindo para minar o futuro do país. Este documentário traça sua investigação por meio de arquivos diplomáticos].
– Jean-Jacques Dessalines, o vencedor de Napoleão Bonaparte, de Arnold Antonin. Haiti: 2022 [Documentário que explora a figura de Jean-Jacques Dessalines como fundador do Haiti e líder militar responsável pela histórica derrota de Napoleão Bonaparte. O filme busca resgatar a complexidade de sua figura, reunindo análises de intelectuais haitianos para debater seu papel e impacto na história, passada e presente, do Haiti].
– Toussaint Louverture, de Philippe Niang. França e Haiti: 2012 [Cinebiografia do líder revolucionário, destacando sua luta e seu legado histórico que inspirou outros movimentos de libertação nacional. A minissérie de dois episódios é apresentada em dois idiomas: francês e o créole (ou crioulo haitiano)].
Nas trilhas da história:
– A Revolução Haitiana, por História Pirata #29. Brasil: 2020 [O professor Daniel Gomes de Carvalho expõe um panorama sobre a história e a historiografia da Revolução Haitiana].
– From the Hut, to the Projects, to the Mansion, de Wyclef Jean [Álbum conceitual do rapper haitiano lançado em 2009. Conta a história de um personagem fictício chamado Toussaint St. Jean, inspirado no líder revolucionário haitiano do século XVIII, Toussaint L’Ouverture].
– Haiti, de Caetano Veloso [Em 1993, Caetano Veloso e Gilberto Gil escreveram a canção que discute questões sociais como pobreza, racismo e violência estruturais no Brasil e faz analogias com a situação histórica do Haiti].
– Haiti Pós-Revolução: os desafios da construção de uma nação, por História FM #197. Brasil: 2025 [Entrevista com a pesquisadora Bethânia Santos Pereira, autora do livro “Revolução Haitiana: a rebelião de escravizados que abalou o mundo”, para debater os rumos do Haiti depois de sua vitoriosa revolução].
– Revolução Haitiana, por História em Meia Hora [O professor Vítor Soares aborda o contexto histórico que possibilitou o surgimento da Revolução Haitiana].
– Revolução Haitiana: a rebelião de escravizados que abalou o mundo, por História FM #113. Brasil: 2022 [Bethânia Pereira discorre sobre como aconteceu a Revolução Haitiana e as consequências dela para o país].
– Toussaint L’overture, de Santana [Lançada em 1971 no álbum Santana III. A canção leva o nome do personagem revolucionário haitiano e conta com uma longa parte instrumental, com apenas algumas letras em espanhol espalhadas].
– Toussaint Louverture: Um Herói Negro nas Américas, por Hora Americana #91. Brasil: 2025 [A pesquisadora Bethânia Santos Pereira comenta sobre a trajetória do herói negro das Américas, Toussaint Louverture, conhecido por sua importante participação na Revolução Haitiana].
Histórias contadas:
– A Ilha Sob o Mar, de Isabel Allende [Publicada em 2008, a obra apresenta a história pelos olhos de Zarité, uma escravizada que testemunha a revolução em Saint-Domingue, a antiga colônia francesa que se tornou o Haiti].
– Dance on the Volcano, por Marie Vieux-Chauvet [Originalmente publicada pela primeira vez em 1957, este romance conta a história de duas irmãs que crescem em uma cultura que oscila fortemente entre decadência e pobreza. Uma das irmãs, devido ao seu talento para o canto, consegue entrar na sociedade colonial branca, que normalmente é proibida para pessoas de cor. Examinando de perto uma sociedade que se debatia sob a supremacia branca dos colonizadores franceses, a obra acompanha uma elaborada hierarquia de cor da pele e classe social através das experiências de duas jovens mulheres. Marie Vieux-Chauvet (1916–1973) foi uma romancista, poetisa e dramaturga haitiana].
– El reino de este mundo, de Alejo Carpentier [Originalmente publicado em 1949 este romance histórico se concentra nos acontecimentos do Haiti entre os anos de 1750 e 1830, aproximadamente. Os eventos se desenrolam em torno de dois personagens revolucionários: Mackandal e Henri Christophe. Este romance também pode ser considerado um exemplar do realismo mágico presente na tradição literária latina].
– Ficções revolucionárias haitianas, por Marlene L. Daut, Grégory Pierrot e Marion C. Rohrleitner. Antologia lançada em 2002, reúne pela primeira vez uma seleção transnacional e multilíngue de literatura sobre a revolução, desde o início dos conflitos que a resultaram até o final do século XIX. Com mais de duzentos trechos de romances, poesias e peças teatrais publicados entre 1787 e 1900, e retratando uma ampla gama de personagens, incluindo Anacaona, Makandal, Boukman, Toussaint Louverture, Jean-Jacques Dessalines e Henry Christophe. Há uma vasta variedade de ficções vindas da Europa Ocidental, da América do Norte, da América do Sul e do Haiti].
– Textos escolhidos: A tragédia do rei Christophe; Discurso sobre o colonialismo; Discurso sobre a negritude, por Aime Césaire [Reunião de textos do escritor martinicano. A peça ‘A tragédia do rei Christophe’, escrita em 1963, aborda a vida de Henri Christophe (1767–1820), nascido cativo, envolvido nas lutas pela independência do Haiti e coroado rei, como Henri I em 1811. Na obra, o personagem ganha ares trágicos e heroicos, dialogando com as perspectivas panafricanistas que circulavam na segunda metade do século XX].
Quadrinhos históricos:
– A Revolução que deu origem ao Haiti, por Laurent Dubois e Rocky Cotard, 2020 [O historiador Laurent Dubois e o artista haitiano Rocky Cotard criaram essa história em quadrinhos narrando o contexto histórico da revolução haitiana, suas imagens que circulam no presente em diálogo com o passado, o lugar das mulheres naqueles eventos históricos e sua centralidade no processo de abolição da escravidão e de inspiração para outras independências na história global. Acesse a publicação disponível em inglês, crioulo e português: https://fsp.duke.edu/projects/haiti-comic/%5D.
– Toussaint L’Ouverture. The story of the only successful slave revolt in history, por C. R. L. James, Nic Watts e Sakina Karimjee, Verso, 2023 [Inspirada no texto da peça teatral redigida pelo ativista negro marxista, C. L. R. James, os artistas Watts e Karimjee recuperam um importante episódio da história revolucionária da luta negra no Haiti. A encenação teatral estreou em Londres no ano de 1936, contando, pela primeira vez, com atores negros que apareceram nos palcos britânicos em uma obra de um dramaturgo negro. O roteiro ficou perdido por quase setenta anos, até que uma cópia preliminar foi descoberta entre os arquivos de James].
Obras históricas:
– A Revolução do Haiti e o Brasil escravista: O que não deve ser dito, por Marco Morel, Paco Editorial, 2017 [Obra fundamental em língua portuguesa para qualquer organização de uma proposta didática sobre este tema. Apresenta cronologia da revolução haitiana, suas personagens centrais, a dinâmica revolucionária e, especialmente, suas conexões internacionais com a realidade brasileira].
– Os Jacobinos Negros. Toussaint L´Ouverture e a revolução de São Domingos, por C. R. L. James, Boitempo 2000 [Obra histórica fundamental, cuja narrativa minuciosa sobre a vitoriosa insurreição de escravizados em São Domingos, hoje Haiti, em 1791, desmascara mitos e revela a luta incansável por liberdade e igualdade, explorando o legado e os desafios pós-independência].
– Os vingadores do Novo Mundo: a história da Revolução Haitiana, por Laurent Dubois, EdUFF, 2023 [Na obra, o autor, professor da Duke University dos EUA, narra a epopeia dos negros em sua luta contra a escravidão na então colônia mais rica das Américas, Saint-Domingue, hoje Haiti, na passagem do século 18 para o 19].
– Revolução Haitiana – A Revolução de Escravizados que Abalou o Mundo, por Bethânia Santos Pereira, Juruá, 2024 [Livro com uma pegada didática, expondo a complexidade da situação histórica em torno da Revolução Haitiana, reconstruindo os eventos no Caribe, as percepções construídas pelas populações da diáspora africana e oferecendo uma bibliografia fundamental e atualizada sobre a temática].
– The Making of Haiti: The Saint Domingue Revolution from Below, por Carolyn E. Fick, University of Tennessee Press, 1991 [Estudo pioneiro da pesquisadora canadense, na Concordia University, em Montreal, Carolyn E. Fick. Ela argumenta que a população negra haitiana foi o principal arquiteto tanto de sua própria liberdade quanto do movimento bem-sucedido em direção à independência nacional. Fick identifica a “marronagem”, o ato de ser um escravo fugitivo, como uma unidade básica da resistência escrava a partir da qual a revolução cresceu e mostra como as formas autônomas de participação popular dos escravos foram tão importantes para o sucesso da rebelião quanto a liderança de homens como Toussaint Louverture, Henri Christophe e Dessalines].


