História nos Quadrinhos, vol. 2

O ano era 1987. O Brasil estava em ebulição por conta da instalação da Assembleia Nacional Constituinte, responsável por discutir e criar um novo ordenamento jurídico de um país ainda sob a égide de leis nascidas durante o período ditatorial. A nova Constituição seria elaborada por 559 constituintes, sendo 487 deputados e 72 senadores, de 13 partidos distintos. Quase 50 mil sugestões de iniciativa popular chegaram às mãos dos constituintes e diversas instâncias do empresariado e de segmentos militares articularam pressões para a inserção de seus interesses na organização do novo regime político brasileiro. Na economia, o governo José Sarney (1985-1990) percorria um amplo campo minado por congelamentos de salários e preços, desabastecimento de produtos, inflação nas alturas e suspensão do pagamento da dívida externa (ou, nos termos da época, a tal ‘moratória’). Greves pipocavam em boa parte do país, sendo a da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda (RJ), uma das mais emblemáticas dada a enorme participação popular e adesão sindical, além da sanguinária repressão feita pelo Exército brasileiro. Era um lembrete de que a ditadura não havia, ainda, encerrado o seu ciclo.

Em julho daquele ano, uma curta história em quadrinhos também nos provocava sérias dúvidas sobre quanta novidade poderia existir num país que caminhava para o fim de uma longa ditadura, preservando muitos de seus agentes em posições de poder. A noite dos palhaços mudos vinha ao mundo através do quarto número da revista Circo, pelos traços de Laerte Coutinho. Uma dupla de palhaços mudos se encontrava na calada da noite, em uma cidade qualquer e colocava em execução um plano ousado: invadir uma luxuosa mansão. O título conta com desenho da datilologia, uma adaptação para a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), com o desenho de mãos sinalizando cada letra.

Acompanhamos silenciosa e divertidamente a sequência de enquadramentos construídos por Laerte. Seus contrastes entre luz e sombra. Os cenários iluminados e as silhuetas dos palhaços que direcionam nosso olhar para o desfile do absurdo e do humor físico dessa empreitada heroica. Soa como um tributo em múltiplas camadas, com os personagens desenvolvendo elementos de uma comédia pastelão bastante popular nos cinemas, protagonizada por figuras cômicas e praticamente sem falas (como Charles Chaplin, Buster Keaton, Harold Lloyd e Mr. Bean) envolvidas em situações construídas por meio de tombos, encontrões e acrobacias que conferem uma aura ridiculamente engraçada a estas cenas. A própria origem da palavra ‘pastelão’ vem de slapstick, pedaços de madeira que palhaços costumavam usar a fim de simularem tapas em suas tradicionais apresentações circenses (Bergan, 2010; Tréguer, 2017). Uma HQ reunindo memória e história da palhaçaria e do cinema.

A narrativa segue e não conseguimos parar de ler. As ações mirabolantes e caricatas se sucedem, com os personagens deslizando por cenários belamente ilustrados. As composições das páginas têm um ritmo fluido, que não é repetitivo, acelerando e diminuindo a velocidade para que possamos acompanhar as peripécias da nossa dupla silenciosa de invasores. Após alcançarem o segundo andar do imóvel, não encontram outra solução que não seja subir ainda mais, só que pela chaminé. Desembarcam num cômodo lotado de materiais de propaganda anti-palhaço. Panfletos direcionados ‘ao povo’, com os dizeres ‘Morte aos palhaços’, dividem espaço com uma espécie de flâmula de um animal em posição de ataque. Tudo bem, até aqui. No corredor avistamos, pela primeira vez, outros personagens. Todos são homens, brancos, de meia idade, senhores alinhados com ternos idênticos. Nossos heróis capturam os dois desavisados e ‘assumem’ uma nova identidade: estão com maquiagem, narizes vermelhos, chapéus, sapatos longos e de terno. A ideia é se misturarem com os seus adversários.

Após estarem devidamente disfarçados, os palhaços descem até o saguão principal da mansão sem serem reconhecidos a tempo de ouvirmos que a hora da execução se aproximava. Uma figura prega em meio àquela sinistra legião de seres engravatados: “Por anos e anos, uma praga infiltrou-se neste país! … os Palhaços Mudos!!”. Há quem grite em prol da morte, mas nada que atrapalhasse o discurso. O líder esbraveja contra “…estes seres ignóbeis, com sua obstinada e teimosa mudez”, pois “ameaçam as bases da nossa sociedade, nossa religião e nossas famílias!!”. Os autointitulados “próceres da sociedade” são os que se reuniam naquela mansão. São eles que sequestraram e mantiveram em cativeiro um dos palhaços mudos. São estes legítimos representantes da ‘sociedade de bem’ que pretendiam serrar ao meio um dos palhaços capturados. Por isso, nossos destemidos palhaços haviam invadido aquela residência. Era uma operação de resgate.

O extraordinário então acontece e a libertação é bem-sucedida. Mas ainda não terminou. É necessário escapar daquela linda casa insuspeita dos horrores. Somos agraciados com outras cenas burlescas de ação. O ritmo da história nos prende, não como um palhaço prestes a ser torturado numa mesa por defensores da moral e dos bons costumes, mas pela curiosidade (ah, e pela torcida também) em saber se os nossos heroicos palhaços mudos conseguirão escapar. Será que sairão vivos para seguirem sendo quem são? Um pequeno spoiler: temos um final feliz, coisa que só uma HQ poderia nos proporcionar. Nosso trio conseguiu escapar. Mas, claro, não sem antes aprontarem um último deboche com os engravatados. É como se dissessem: vamos rir do poder!

“Casa da Morte”, centro de tortura e repressão da ditadura empresarial-militar brasileira, localizada em Petrópolis (RJ). Fontes: Memorial da Democracia e O Globo.

Sequestro, tortura, ameaça de morte, perseguição a artistas, preconceito contra grupos considerados diferentes e um desfile de discursos ideologicamente sustentados pelo viés nacionalista, familiar e religioso. POW! WHAM! SOCK! KRAK! Somos golpeados pela temática política que já ‘parecia velha’ naqueles novos tempos quase pós-ditadura. Caramba, por que a Laerte jogou um tema político nos quadrinhos??? Antes de mais nada, lembremos que a política habita todo os espaços da vida ou dito de outra forma, ela é inescapável. Está associada a um emaranhado de decisões, posturas, ações e projetos que dizem respeito a nossas experiências em sociedade. A política não se reduz ao partidário, embora o contenha, mas se vincula ao posicionamento humano diante do mundo que nos cerca. Não se posicionar já é uma postura política. Até mesmo certos episódios cotidianos podem assumir conotações políticas, pois nossos atos acontecem em um contexto relacional, afetando outras pessoas (Fernandes, 2020; Ribeiro, 2014).

Os quadrinhos são uma forma de intervenção política que debate com o tempo/contexto em que foram produzidos. Este objeto cultural, a HQ, atribui significados, reproduz conflitos e negociações, integra disputas sociais, dialoga com repertórios culturais e estabelecem formas de interpretar o mundo. Nem toda produção artística é política num sentido, estrito, como se expressasse um engajamento. No entanto, toda arte é politizada a partir do momento em que é posta em circulação. A obra cultural é engajada nos debates e conflitos de sua época ou de períodos posteriores, quando pode assumir outros significados a depender da conjuntura.

“Quadrinhos podem nos apresentar aspectos de uma realidade passada, mas passam longe de nos fornecer um reflexo dos acontecimentos que tiveram lugar em uma temporalidade anterior. Se reflexo pressupõe a ideia de fidelidade ou de prova de realidade haveria aí uma incongruência, já que HQ’s, ficcionais ou não, interpretam e argumentam muito mais do que refletem. Um reflexo seria fiel, prova de uma realidade. O quadrinista é um homem do seu tempo, rebelde ou conformista. Ele dialoga com determinado contexto e divulga para os leitores uma certa interpretação da existência. Partindo dessa premissa, pode-se considerar que nenhum quadrinho é reflexo, mas um ponto de vista situado em um tempo” (Rodrigues, 2021, p. 51).

Que tempo era aquele quando “A noite dos palhaços mudos” foi idealizada? O Brasil vivia os momentos finais da ditadura empresarial-militar instalada em 1964. Seguimos, aqui, a periodização proposta por Lemos, baseado na premissa de que o golpe de 1964 e o regime então instaurado foram contrarrevolucionários:

“A contrarrevolução combinou formas terroristas e democráticas, conforme a correlação entre as forças sociais, nos planos internacional e nacional. O fim estratégico da perspectiva contrarrevolucionária era a construção de um regime democrático e modernizador controlado por um Executivo forte – ao qual só partidos e coalizões conservadores teriam acesso efetivo −, dirigido por uma ‘elite’ tecnocrática e tecnoempresarial e livre da dependência política do voto popular. Tal forma política seria a ideal para institucionalizar a satisfação das necessidades do grande capital multinacional e associado em termos de garantias para seus investimentos e lucros. No curto prazo, a prioridade seria dar conta dos dois principais problemas com que se enfrentavam as frações da burguesia e setores das classes médias no fim do governo de João Goulart: recuperar a capacidade de crescimento da economia e erradicar o estado de ativação popular que marcou o país na primeira metade da década de 1960. A articulação entre objetivos estratégicos e imediatos determinou a dinâmica do regime pós-64 e, portanto, a sua periodização” (2014, p. 129-130).

A primeira fase é caracterizada como contrarrevolucionária terrorista (1964-1974) e a segunda fase, contrarrevolucionária democrática (1974-1989). Ambas estão divididas em subfases. A primeira subfase da contrarrevolução terrorista situa-se entre os anos de 1964 e 1968 e buscou reformatar o Estado para lidar com os oposicionistas de vários matizes (nacionalistas, comunistas etc.) e resgatar um ciclo ascendente econômico. A subfase seguinte, englobando o período que vai de 1968 a 1974, é caracterizada como a consolidação do regime, aperfeiçoando o aparato repressivo e atingindo índices de crescimento substanciais. A fase derradeira do período ditatorial se inicia após a satisfação dos “principais objetivos imediatos da frente golpista”, quando, no período entre os anos 1974-1978, os grupos dirigentes articularam novas formas de dominação política, buscando ampliar a sua negociação e reduzindo o percentual coercitivo (sem eliminá-lo) nesse processo. A segunda subfase desse momento contrarrevolucionário democrático começa em 1978 e se estende até o ano de aprovação da nova Constituição brasileira, em 1988, através da tutela das Forças Armadas que contavam com amplas parcelas de forças civis negociando e legitimando todo o processo. A Constituição de 1988, ao fim, “significou a pactuação de outro regime, sob a direção dos representantes políticos das classes dominantes” (Lemos, 2014, p. 135).

Laerte vivenciava estes tempos de transição entre ditadura e democracia, com suas transformações e permanências. No âmbito dos quadrinhos também se processava uma mudança. Durante a década de 1970 muito do humor nacional circulava através de produções culturais originadas a partir do Rio de Janeiro. Lembremos, por exemplo, da revista O Pasquim (1969 e 1991) e seus icônicos integrantes: Jaguar, Ziraldo, Millôr Fernandes, Henfil e Tarso de Castro. Aliás, todas as suas 1072 edições estão digitalizadas e disponíveis no portal de periódicos da Biblioteca Nacional – a Hemeroteca Digital Brasileira. Contudo, a década de 1980 viu emergir um outro polo de produção humorística, conectada ao cenário underground e, até então bastante menosprezada pela crítica cultural existente. Revistas como Chiclete com Banana, Circo, Balão, Animal e Cybercomix estavam disponíveis em inúmeras bancas da cidade de São Paulo, trazendo artistas como Angeli, Marcatti, Henfil, Laerte, Glauco, Luiz Gê, Guidacci e tantas outras figuras (Campos, 2022).

Surgida nesse contexto de abertura política, a Circo Editorial veio ao mundo em 1984, em São Paulo, através de seu editor, Toninho Mendes (1954-2017), especializada em quadrinhos de humor e política e que se manteve ativa até 1995. Era o momento de testar limites, veicular críticas sociais bastante ácidas em tempos de um certo relaxamento da censura. Entre 1986 e 1988, a revista Circo foi publicada, totalizando oito números e uma edição especial, e, em uma delas, a de número 4, encontramos a história sob análise neste texto. Laerte Coutinho (1951-) já participava do cenário underground dos quadrinhos, tendo fundado a revista Balão (1972-1975) junto de Luiz Gê, quando eram estudantes da Universidade de São Paulo, e desenvolvia atividades artísticas em diversas frentes políticas: elaborando material de campanha para o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), fundando uma agência especializada em comunicação editorial (Oboré) e estabelecendo ligações com o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Por volta de 2010, passou a se identificar como uma pessoa transgênero, abandonando, de certa forma, todos os seus personagens anteriores, menos Hugo (seu alter ego) que se traveste e vira Muriel. Seu trabalho passou a refletir sua busca existencial também, sem abrir mão, entretanto, da crítica social misturada com muito humor e filosofia.

“O potencial transgressor e a linguagem que combina agressividade e humor continuam à toda. Nesse clima conservador, de repressão e vigilância ideológica, o humor faz diferença, sim. Todo discurso humorístico é político, sim. Quem diz, ‘ah, o mundo ficou chato por causa do politicamente correto, não dá nem mais para brincar’, pois não brinque, amigo. Não vejo o humor como um limite, mas um horizonte. Antigamente, eu considerava qualquer manifestação de humor libertária por excelência e não é assim. Hoje tenho uma visão muito mais complexa: o humor pode ser libertário, mas também pode reforçar preconceitos, a depender de como é expresso. Minha vida foi mudando. Minhas ideias sobre o mundo, também. Não me sinto cerceada, mas desafiada” (Sayuri, 2019).

A fantasia criada por Laerte em 1987 tinha diversas inspirações, algumas de caráter ficcional, outras, associadas a episódios presentes na história brasileira. A autora reconhece a influência da obra de Federico Fellini, ‘Os palhaços’, de 1970, um falso documentário sobre o fascínio e a nostalgia em torno do circo e dos palhaços. Do mesmo modo, o filme Pagliacci (1982), de Franco Zeffirelli, ópera trágica, repercutiu nas preocupações da quadrinista (Luccas, 2012). Já abordamos o contexto político da época, mas vale ressaltar que Laerte chegou a comentar o quanto as atividades e perspectivas reacionárias da organização católica chamada Terra, Família e Propriedade (TFP) a impactaram na criação da obra. Surgida no contexto das intensas mobilizações sociais dos anos 1960, o movimento fundado por Plínio Corrêa de Oliveira pregava a submissão da sociedade à igreja, o direito inviolável e sagrado à propriedade privada e, claro, o anticomunismo. Seus associados desfilavam com um estandarte medieval pelas ruas, buscando, com bastante frequência, confrontos físicos com organizações e pessoas associadas ao campo da esquerda (Memorial da Democracia, 2025). Como podemos ver abaixo, a flâmula estampada com um animal, encontrada pela dupla de palhaços mudos em sua operação de resgate é o estandarte da TFP.

Narrativas ficcionais incorporam experiências, seja de quem é responsável pela obra ou daquelas pessoas que a consomem. Por isso, é complicado imaginar que determinados objetos culturais possuam sentidos e significados fechados, restritos à sua própria época. É importante demais compreender a conjuntura de produção de uma dada obra cultural. Mas conforme ela prossegue sendo consumida por novos públicos, distantes temporalmente de seu momento de criação, novas experiências (individuais e históricas) são incorporadas à fruição da obra, adicionando e reorganizando outras camadas de entendimento nessa complexa relação entre o público e os objetos culturais. Quando Laerte desenhou e roteirizou “A noite dos palhaços mudos” ainda estava bem recente em sua memória as estratégias de censura e perseguição a artistas promovidas pela ditadura empresarial-militar.

Um grupo de homens de terno reclamam para si a tarefa de expurgar da sociedade todos aqueles tipos que não se enquadrariam no perfil de sociedade imaginada, a diferença, por si só, merece desaparecer. Esses personagens decidem “acabar com a raça” destas figuras representadas pelos palhaços mudos: símbolos de uma vivência humana culturalmente distinta, irreverente, adeptos da liberdade de expressão por meio de seus movimentos e de seus gestos, no desejo de afrontar a rigidez do mundo, de expressarem seu amor à vida por meio do humor. São ícones que merecem, na consideração dos engravatados, ser extintos. Esses defensores da ‘boa sociedade’ se sentem livres para torturarem, na calada da noite, todas as personagens que não atuam conforme seu código tacanho de moralidade, em uma mansão que sinaliza tanto o poder financeiro quanto impõe dificuldades para que possamos reconhecer a perversidade que reside protegida por esses muros ricamente edificados. A tropa dos engravatados sequestram, torturam e assassinam em sua marcha a favor da intolerância e eliminação de toda e qualquer dissidência política.

A noite dos palhaços mudos teve uma trajetória bastante influente no campo das artes. Ela inspirou a montagem de uma peça teatral, organizada pela Cia La Mínima, em 2008, alterando, levemente, a dinâmica da história. Neste caso, a seita dos engravatados consegue capturar um dos palhaços mudos e fracassam quando tentam matá-lo. Entretanto, ficam com uma espécie de troféu, resultante deste ato atroz: o nariz vermelho do palhaço. A dupla de palhaços mudos engendra um plano de resgate nasal. Pouco tempo depois, em 2012, sob a direção de Juliano Luccas, um curta-metragem é lançado, contando com um roteiro adaptado pela própria Laerte seguindo, em linhas gerais, a história encenada nos palcos.

Quase quatro décadas após a publicação da HQ, como o público contemporâneo se relaciona com essa obra? Publicada pela Conrad em 2023, a nova edição de A noite dos palhaços mudos integra uma iniciativa da editora para disponibilizar quadrinhos a preços mais acessíveis para o grande público. No texto de suporte, Guilherme Kroll, então gerente editorial da Conrad, sugere que a intolerância, o preconceito e o ódio às minorias seriam elementos, “que nunca deixaram de estar presentes”, motivadores para a perseguição aos palhaços mudos. O próprio uso da qualificação ‘mudo’ levanta debate quanto ao estágio de conhecimento atual. Os palhaços são identificados como uma ameaça em uma sociedade onde o pensamento hegemônico conservador/reacionário encontra muitos adeptos, figuras que anulam sua própria individualidade/diferença para concretizarem o seu sonho de um país indivisível, sob as bençãos divinas e com respaldo da família. Os engravatados se movendo e agindo como uma força única, sem a presença de pessoas ‘diferentes’ é a síntese dos desejos de grupos da extrema direita atual. Enxergar os palhaços mudos como símbolos de resistência das minorias é um caminho possível na quadra miserável da história em que nos encontramos. O filósofo Vladimir Safatle sinaliza que a política é um ponto de conexão entre passado e presente, uma forma de recuperar ressonâncias que nos conecte com lutas que foram destroçadas (Safatle, 2024). Nossa movimentação política tem a capacidade de colocar/ecoar ressonâncias em circulação, mas de maneira diferente. Nossos gestos podem ser cômicos. E desafiadores.

REFERÊNCIAS:

BERGAN, Ronald. Ismos. Para entender o cinema. Rio de Janeiro: Globo, 2010.

CAMPOS, Rogério de. HQ: uma pequena história dos quadrinhos para uso das novas gerações. São Paulo: Edições Sesc / Veneta, 2022.

FERNANDES, Sabrina. Tudo é política. In.: ______. Se quiser mudar o mundo. Um guia político para quem se importa. São Paulo: Planeta, 2020, p. 33-54.

LAERTE. A noite dos palhaços mudos. São Paulo: Conrad, 2023.

LEMOS, R. Contrarrevolução e ditadura: ensaio sobre o processo político brasileiro pós-1964. In: Marx e Marxismo. Niterói, v. 2, nº. 2, p. 111–138, jan./jul. 2014.

LUCCAS, Juliano. Making of – A Noite dos Palhaços Mudos. [Vídeo] YouTube, 18 jul. 2012. 16m14s. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=I-PJ4m0AGWM. Acesso em: 18 dez. 2025.

MEMORIAL DA DEMOCRACIA. Museu multimídia dedicado à luta pela democracia no Brasil. Disponível em: https://memorialdademocracia.com.br/. Acesso em: 18 dez. 2025.

RIBEIRO, João Ubaldo. Como a política interessa a todos e a cada um. In.: ____. Política. Quem manda, por que manda, como manda. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014, p. 8-14.

RODRIGUES, Márcio dos Santos. Apontamento para a pesquisa histórica sobre quadrinhos. In: CALLARI, Victor; RODRIGUES, Márcio (Org.). História e quadrinhos: contribuições ao ensino e à pesquisa. Belo Horizonte: Letramento, 2021, p. 19-61.

SAFATLE, Vladimir. Política. In.: ____. Alfabeto das colisões: filosofia prática em modo crônico. São Paulo: Ubu Editora, 2024, p. 28-33.

SAYURI, Juliana. O mainstream do underground. Trip, 27 jun. 2019. Disponível em: https://revistatrip.uol.com.br/trip/a-historia-da-circo-editorial-e-de-toninho-mendes-editor-que-lancou-laerte-angeli-glauco-e-outros. Acesso em: 18 dez. 2025.

TRÉGUER, Pascal. Theatrical origin and history of the noun ‘slapstick’. World Histories, 27 jun. 2017. Disponível em: https://wordhistories.net/2017/06/27/history-of-slapstick/. Acesso em: 18 dez. 2025.

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